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Leonardo Diniz: sindicalismo, política e liderança Por: Prof. Geraldo Eustáquio Ferreira (Dadinho) Em meados de 1972, aconteceram as primeiras reuniões dos mutuários da Inocoop – Cooperativa Habitacional responsável pela construção do atual Bairro República em parceria com o então Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade. Naquelas reuniões, um rapaz franzino, barbudo, cabelos grandes, portando a tiracolo uma bolsa de couro muito em voga entre os rapazes da época, sempre se sentava à mesa ao lado do Presidente do Sindicato e dos administradores da Cooperativa para falar em nome dos mutuários. Era Leonardo Diniz Dias, que se firmaria como líder operário na intensa atividade sindical dos anos oitenta, conquistando a Presidência do Sindicato e, logo em seguida, os mandatos de Prefeito Municipal e Vereador. Nascido em Barão de Cocais, a 27 de Novembro de 1942, começou na roça a sua vida de trabalhador, transferindo-se mais tarde para João Monlevade, com ingresso imediato na CSBM [Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira]. Constitui família ao se casar com Solange Glória da Silva Dias, com quem teve dois filhos: Beverley e Belmar. Como representante dos mutuários e com o consentimento deles, teve o direito de escolher o lote de sua casa (os outros foram decididos por sorteio), logo à entrada do Bairro República, onde reside hoje sua família. Sua vida foi direcionada basicamente para duas áreas de atuação social: de um lado, o SINDICALISMO, que revelou seu carisma como liderança emergente dos operários na década de oitenta, despertada pela atuação comunitária como representante dos mutuários do futuro Bairro República; de outro lado, a POLÍTICA, que o consagrou como Prefeito de João Monlevade em 1988 e Vereador mais votado em 1996. Sindicalista aguerrido, foi por duas vezes presidente do Sindicato dos Metalúrgicos: nos anos de 1983 a 1985 e de 1985 a 1987. Sua presença à frente do Sindicato, cronologicamente situada quando o movimento sindical atingiu seu ápice em todo o Brasil, foi marcada por atitudes ousadas para a época: liderou em Monlevade o movimento grevista em 1986 quando, durante 23 dias, os metalúrgicos se instalaram dentro da Usina. E foi dessa febril atuação sindicalista que emergiu o político. Como político, à frente da Prefeitura Municipal de João Monlevade, no período 1989-1992, sua administração se destacou principalmente pela forte participação popular, que confluiu na adoção do Orçamento Participativo, debatido em primeira instância pelo povo. Investiu, também, em setores que eram a vanguarda do final dos anos 80 e início dos 90, como a luta antimanicomial: criou o Sésamo, serviço de saúde mental baseado em novas teses e práticas clínicas de tratamento psíquico, que se tornou referência em Minas Gerais. Preocupou-se, ainda, com a saúde bucal em um momento em que quase ninguém falava nisso no Brasil e que hoje virou obrigação nos municípios. Seu pioneirismo freqüentou também a área da educação com a adoção da eleição para provimento dos cargos de Diretor de Escola Municipal. E construiu as escolas municipais Monteiro Lobato e Promorar em áreas de grande densidade demográfica e pouca oferta de vagas escolares. Dentre suas obras, duas foram concretizadas sob o signo da polêmica: a primeira, o Velório Municipal, combatida na época porque o povo não tinha a cultura de velar os mortos fora de casa, situação hoje plenamente superada pela população; a outra, a Praça do Povo, espaço cultural em área privilegiada do centro da cidade, vem sendo utilizada ainda timidamente pela população. Geraldo Magela, amigo e companheiro de partido, reconheceu em artigo recente, que “Leonardo tinha um temperamento difícil, mas possuía a grande virtude de não ser dado a rancores ou mágoas tolas. Brigava feio pela manhã, mas à tarde já estava tudo bem, com ele fazendo suas piadinhas abomináveis.” E remata: “Ele era uma mistura maluca de emoção com doses de racionalidade.” Outra particularidade em sua trajetória política é a marca de ter sido eleito vereador com o maior número de votos válidos, com votação superior a 1600 votos. E foi no exercício deste mandato de vereador na Câmara Municipal, embalado pela certeza de uma reeleição praticamente garantida, que Leonardo faleceu em Belo Horizonte em 28 de maio de 2000, deixando grande lacuna nos meios políticos e sindicais. Seu grande carisma, sua forte participação na vida sindical formando lideranças comprometidas com o bem comum, sua rica passagem pela Prefeitura e pela Câmara Municipal, pontuada de grandes realizações, redundaram na indicação de seu nome como candidato ao título “Monlevadense do Século”. Não logrou tal honraria, mas a grande trajetória de sua vida inscreveu seu nome, definitivamente, entre as grandes personalidades de João Monlevade. |
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