Faz
dois anos que o Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade deu início ao
“Projeto Memória”. E qual o resultado? Muitos. Mas, para entendê-los, é
preciso, antes de tudo, saber exatamente o que pretende esse projeto.
Os
objetivos são, basicamente, dois: 1 - preservar as fontes de pesquisa; 2
- difundir a história da entidade. No esforço para atingi-los, a equipe
executora, integrada por uma bibliotecária e um jornalista, realizou
visitas técnicas para conhecer o trabalho de outras entidades e tem se
debruçado, cotidianamente, sobre bibliografia especializada. Entre o
material de referência utilizado, está, por exemplo, a ISAD, normal
internacional que estabelece padrões para administração de arquivos.
E
como criar um vínculo entre esse trabalho e a comunidade? Através da
implantação do Centro de Referência e Memória do Trabalhador (que
chamamos, inicialmente, de Memorial do Trabalhador). Esse centro, que
está sendo montado na sede do sindicato, consiste em um espaço físico para
abrigar os documentos que já foram e são produzidos pela entidade ou são
relativos a sua história, para que tais documentos possam estar à
disposição de consulta por pesquisadores ou quaisquer outros membros da
comunidade. Mas é também algo mais: um centro de realização de projetos
para dar visibilidade à história dos trabalhadores, como exposições e
outros eventos.
Esse
trabalho de referência já deu os seus frutos. Um exemplo significativo é o
livro “Nasce a CUT”, lançado em agosto pelo Centro de Documentação e
Memória Sindical (Cedoc) da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Entre
as fotos utilizadas para ilustrar a obra, apenas três são de um acervo
estritamente sindical – se não considerarmos o próprio Cedoc -, e esse
acervo é, justamente, o do Projeto Memória, do Sindicato dos Trabalhadores
Metalúrgicos de João Monlevade.
O
fato de as fotos de nosso acervo terem sido a única fonte fotográfica
estritamente sindical para ilustração do livro demonstra que o projeto
tem, sim, um lugar proeminente na construção da consciência sobre a
importância de uma cultura arquivística no meio sindical, para o presente
e o futuro.
Consolidar uma cultura
arquivística significa plantar, com firmeza, um projeto de preservação e
administração sólida de documentos, para que não fiquemos dependentes,
apenas, da memória individual, que pode se apagar no próximo instante, se
não for captada e abrigada em lugar perene e acessível às consciências
lúcidas.